Não sei se todos reparam mas na fila de trás, no avião de regresso (Ponta Delgada - Lx) ia o Paulo Furtado, conimbricense como aqui a miúda. Porque Coimbra tem outros encantos para além da Universidade, fica aqui um cheirinho do que ele anda a fazer agora:
e do que fazia quando eu era uma teenager (mesmo muito teen) e andava feita fanzoca atrás dos Tedio Boys... Só o nome faz voltar memórias do liceu!
Quem diria que uma viagem de mergulho às Flores também dava para entrar na onda rockabilly!!!
quinta-feira, 31 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Não há nada como realmente
Ir ao paraíso e voltar, deve ser mais ou menos assim... A volta, apesar de penosa, é aceitável porque as memórias, de tão boas, traduzem-se naquele friozinho na barriga que só aparece quando estamos mesmo e completamente felizes, e a certeza do regresso, fazem com que a realidade seja para já tolerável! Foi assim de bom!
Não é possível fazer um relato claro e isento das experiências vividas e nem seria justo! Nada como a experiência, para encontrarmos aquele cantinho dentro de nós em que estas vivências nos fazem sentir em paz e sintonizados com o que realmente somos!

Mas fazendo um esforço e tentando falar apenas do mergulho, eis o que posso dizer:
A nossa casinha:
- A "casinha das bonecas" bem como a "casa grande" fica a 50 metros do mar e rodeada por 9 quedas de água, que só se provaram ainda mais extraordinárias, depois de uma bela chuvada! E se isso só por si não fosse suficiente, se já não bastasse estarmos rodeados pelas artes de pesca do Mestre José Agusto, tínhamos direito ao mais bonito dos Pôr de Sol, bastando para isso olhar em frente e simplesmente respirar devagar, para limpar a alma! Mas melhor que o ver de nossa casa, foi mesmo vê-lo dentro de água, mergulhada no laranja, envolvida por todos os lados por uma beleza que só nos pode deixar com vontade de viver, sempre, mais e feliz!
O João:
- O nosso João provou que a raça Chincheira nada teme! Se à saída do continente algumas reservas existissem, todas caíram por terra logo no primeiro mergulho! Recordes foram sendo sucessivamente batidos, até chegar aos 40,4m!!! Avistou raias, barracudas, vejas, garoupas, cavacos e ao fim de algum tempo, já tratava os meros por tu! Para quem tinha feito um mergulho em Sesimbra (depois do curso) portou-se como um verdadeiro homem do mar! Não houve mergulho que não fizesse e a evolução, mais do que se ver de dia para dia, acontecia de metro para metro! Entre grutas, drifts e world spots o nosso João fez de tudo! A mim parece-me que de dentro de água saiu outro João, mas isso não é de estranhar. Acho que quem já lá foi concorda, que os Açores fazem isso às pessoas e a parte boa é que só nos melhora e deixa mais felizes! Foi isso, não foi João?

O grupo:
- Tremenda sorte! Dificilmente se conseguiria reunir melhor pandilha! Cada um tinha o seu papel e tudo junto dava uma peça bem engraçada, quase sempre de comédia, com os seus momentos mais sérios, e não fosse esta a viagem do “amor”, muito “romance” à mistura! Aqui os buddies do mergulhos, estendiam-se para a superfície e entre o “deskamba” e momento de verdadeira amizade e cumplicidade não houve um momento mal passado... se por acaso até existiu eu não sei... devia estar a dormir! Para recordar são os constantes “encher de colete” pontuados por momentos de “Lego session” das nossas meninas lindas e sempre bem dispostas (Susana e Ana). O Pedro Jesus que para além de grande mergulhador associa a boa disposição a um talento, se não mesmo um dom, para dominar a grelha e dar a malta os grandes momentos gastronómicos. O outro Pedro (Chora) numa calma muito própria, lá ia sobrevivendo ao reboliço do grupo e volta e meia lá mandava a bela da piadinha! O João Negão... sou suspeita, mas grande grande amigo, a melhor das boas disposições e do bom senso (mesmo quando a vontade era outra!)... é daquelas magias que não se explica ou acontece ou não! O Alex (aka Conde), que nos presenteou com um dos sorrisos mais sinceros e genuínos que já vi, depois de um têt-a-têt com um senhor ratão... grande amigo, não há palavras! O grande Manitu sempre com a sua calma de experiência feita, a mostrar-nos os recantos mais bonitos tanto dentro de água quanto à superfície! O nosso Joãozinho, já conhecemos mas o resto do pessoal não... e eis se não quando o nosso menino protagoniza um dos momentos altos da viagem, quando em defesa da sua dama (Palmela) se sai com a música do “Oh Poceirão” por alguns erradamente conhecida por “Oh sit down”... e que deu azo a uma das gargalhas mais longas da história da humanidade.
Não nos podemos também esquecer do pessoal de lá! Grande conjunto, liderado pelo Mauro seguido pelo Dario, Marco e Marino. Grupinho mais do que 5 estrelas que tratou de nós e nos fez sentir verdadeiros Lords... apesar do mau feitio do Marco!
Os mergulhos:
- Os spots são fantásticos com uma vida incrível, mas de assinalar é o azulão! Um azulão que parece que nos puxa para o fundo e nos tira ao ar, para logo a seguir nos dar imagens que não se explicam! Os cenários são os mais variados possível, mas sempre de uma beleza estonteante! Mas o nosso amigo João terá relatos mais completos!
Eu:
- Eu, eu ainda tenho o coração apertadinho e ainda estou a 5 cm do chão... ou melhor dizendo, a meia água e no meio de uma nuvem de peixinhos prateados! Os mergulhos começaram meio atrapalhados, mas depois de umas sessões fantásticas de snorkelling e com o apoio do pessoal lá se quebrou o enguiço! Mas sem o meu buddy, não teria sido tão bom! O Sílvio terá sido o grande responsável por ter conseguido realmente mergulhar e desfrutar das paisagens sub-aquáticas! Só tenho mesmo que agradecer a paciência, a calma e o voto de confiança! Espero poder tê-lo mais vezes como buddy! É com certeza um argumento muito importante para a minha volta às Flores!
Acima de tudo, sinto-me privilegiada por tudo o que aconteceu durante e entre mergulhos, não imagino que pudesse ter estado num lugar melhor, rodeada por pessoas mais especiais e por isso só posso estar eternamente e ternamente grata a todos que contribuíram para aquela que terá sido a semana mais feliz da minha vida! Que venham outras (se tudo correr bem em Novembro e nas Maldivas)!
Não é possível fazer um relato claro e isento das experiências vividas e nem seria justo! Nada como a experiência, para encontrarmos aquele cantinho dentro de nós em que estas vivências nos fazem sentir em paz e sintonizados com o que realmente somos!
Mas fazendo um esforço e tentando falar apenas do mergulho, eis o que posso dizer:
A nossa casinha:
- A "casinha das bonecas" bem como a "casa grande" fica a 50 metros do mar e rodeada por 9 quedas de água, que só se provaram ainda mais extraordinárias, depois de uma bela chuvada! E se isso só por si não fosse suficiente, se já não bastasse estarmos rodeados pelas artes de pesca do Mestre José Agusto, tínhamos direito ao mais bonito dos Pôr de Sol, bastando para isso olhar em frente e simplesmente respirar devagar, para limpar a alma! Mas melhor que o ver de nossa casa, foi mesmo vê-lo dentro de água, mergulhada no laranja, envolvida por todos os lados por uma beleza que só nos pode deixar com vontade de viver, sempre, mais e feliz!
O João:
- O nosso João provou que a raça Chincheira nada teme! Se à saída do continente algumas reservas existissem, todas caíram por terra logo no primeiro mergulho! Recordes foram sendo sucessivamente batidos, até chegar aos 40,4m!!! Avistou raias, barracudas, vejas, garoupas, cavacos e ao fim de algum tempo, já tratava os meros por tu! Para quem tinha feito um mergulho em Sesimbra (depois do curso) portou-se como um verdadeiro homem do mar! Não houve mergulho que não fizesse e a evolução, mais do que se ver de dia para dia, acontecia de metro para metro! Entre grutas, drifts e world spots o nosso João fez de tudo! A mim parece-me que de dentro de água saiu outro João, mas isso não é de estranhar. Acho que quem já lá foi concorda, que os Açores fazem isso às pessoas e a parte boa é que só nos melhora e deixa mais felizes! Foi isso, não foi João?
O grupo:
- Tremenda sorte! Dificilmente se conseguiria reunir melhor pandilha! Cada um tinha o seu papel e tudo junto dava uma peça bem engraçada, quase sempre de comédia, com os seus momentos mais sérios, e não fosse esta a viagem do “amor”, muito “romance” à mistura! Aqui os buddies do mergulhos, estendiam-se para a superfície e entre o “deskamba” e momento de verdadeira amizade e cumplicidade não houve um momento mal passado... se por acaso até existiu eu não sei... devia estar a dormir! Para recordar são os constantes “encher de colete” pontuados por momentos de “Lego session” das nossas meninas lindas e sempre bem dispostas (Susana e Ana). O Pedro Jesus que para além de grande mergulhador associa a boa disposição a um talento, se não mesmo um dom, para dominar a grelha e dar a malta os grandes momentos gastronómicos. O outro Pedro (Chora) numa calma muito própria, lá ia sobrevivendo ao reboliço do grupo e volta e meia lá mandava a bela da piadinha! O João Negão... sou suspeita, mas grande grande amigo, a melhor das boas disposições e do bom senso (mesmo quando a vontade era outra!)... é daquelas magias que não se explica ou acontece ou não! O Alex (aka Conde), que nos presenteou com um dos sorrisos mais sinceros e genuínos que já vi, depois de um têt-a-têt com um senhor ratão... grande amigo, não há palavras! O grande Manitu sempre com a sua calma de experiência feita, a mostrar-nos os recantos mais bonitos tanto dentro de água quanto à superfície! O nosso Joãozinho, já conhecemos mas o resto do pessoal não... e eis se não quando o nosso menino protagoniza um dos momentos altos da viagem, quando em defesa da sua dama (Palmela) se sai com a música do “Oh Poceirão” por alguns erradamente conhecida por “Oh sit down”... e que deu azo a uma das gargalhas mais longas da história da humanidade.
Não nos podemos também esquecer do pessoal de lá! Grande conjunto, liderado pelo Mauro seguido pelo Dario, Marco e Marino. Grupinho mais do que 5 estrelas que tratou de nós e nos fez sentir verdadeiros Lords... apesar do mau feitio do Marco!
Os mergulhos:
- Os spots são fantásticos com uma vida incrível, mas de assinalar é o azulão! Um azulão que parece que nos puxa para o fundo e nos tira ao ar, para logo a seguir nos dar imagens que não se explicam! Os cenários são os mais variados possível, mas sempre de uma beleza estonteante! Mas o nosso amigo João terá relatos mais completos!
Eu:
- Eu, eu ainda tenho o coração apertadinho e ainda estou a 5 cm do chão... ou melhor dizendo, a meia água e no meio de uma nuvem de peixinhos prateados! Os mergulhos começaram meio atrapalhados, mas depois de umas sessões fantásticas de snorkelling e com o apoio do pessoal lá se quebrou o enguiço! Mas sem o meu buddy, não teria sido tão bom! O Sílvio terá sido o grande responsável por ter conseguido realmente mergulhar e desfrutar das paisagens sub-aquáticas! Só tenho mesmo que agradecer a paciência, a calma e o voto de confiança! Espero poder tê-lo mais vezes como buddy! É com certeza um argumento muito importante para a minha volta às Flores!
Acima de tudo, sinto-me privilegiada por tudo o que aconteceu durante e entre mergulhos, não imagino que pudesse ter estado num lugar melhor, rodeada por pessoas mais especiais e por isso só posso estar eternamente e ternamente grata a todos que contribuíram para aquela que terá sido a semana mais feliz da minha vida! Que venham outras (se tudo correr bem em Novembro e nas Maldivas)!
domingo, 29 de junho de 2008
Um Mergulho no Leste - Parte I
Depois dos mil perigos passados na conquista do "trinufii chincheiri" em Roma, o mui glorioso Mar da Chincha enviou uma embaixada ao Leste, para reconhecimento do terreno e preparação de novas expedições.





Reunidas as tropas, a embaixada seguiu corajosamente (e patrioticamente - note-se o cachecol de Portugal) rumo ao Leste.
O primeiro rumo estava traçado: Eslovénia, Austria, Eslováquia, Républica Checa e finalmente a Polónia, onde fizemos uma incursão por um dos locais mais emblemáticos da história contemporânea da Europa: os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau.
As imagens, bem presentes na memória de todos, falam por si.
"Those who forget the past are condemned to repeat it." - George Santayana (entrada de Auschwitz I).
Nota: To be continued.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Jantar de solstício
No Mar da Chincha, não gostamos de deixar passar datas importantes em branco, principalmente quando estão relacionadas com fenómenos naturais. Por isso no dia 21 lá fomos nós ao Chicos (que se está a candidatar a tornar-se a sede de reunião da seita) para celebrarmos o dia mais longo do ano, como os antigos pagãos faziam... mais coisa menos coisa. Ainda se falou de irmos para o meio da floresta dançar nús à volta da fogueira... mas a pizza ali era melhor, mais quentinha e dava para ver o Holanda Rússia.
Por falar em Holanda-Rússia! Jogão do caraças!
Proponho novo jantar quando for Lua nova... não convém deixar os deuses da Natureza mal dispostos!
Por falar em Holanda-Rússia! Jogão do caraças!
Proponho novo jantar quando for Lua nova... não convém deixar os deuses da Natureza mal dispostos!
Leste...
Fui eu que sonhei, ou alguém que eu conheço foi ao Leste, e foi multada, e viu jogos de futebol e campos de concentração... devo estar enganada!...
A menina Akra está a dever-nos um post!!!
A menina Akra está a dever-nos um post!!!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Vamos mergulhar Domingo?
Chincheiros e amigos da chincha, alguém quer vir mergulhar no próximo Domingo, pelas 9.00h? Penso que o Tz ainda tem vagas, mas é uma questão de vermos no blog:
http://deepdive-news.blogspot.com/
Senão há outro às 12.00h.
Ainda se lembram como se enche o colete ?????
http://deepdive-news.blogspot.com/
Senão há outro às 12.00h.
Ainda se lembram como se enche o colete ?????
terça-feira, 17 de junho de 2008
Trabalho de casa
Apesar de ainda estar a ouvir em "mono" e de ter sérias dúvidas que volte a conseguir mergulhar, o meu ânimo para a viagem é inquestionável!!!... até porque à medida que o tempo passa, o corpinho e a cabeça já estão a dar sinais de precisarem de uma folga. Por isso e para saber o que nos espera, ora aqui vão uns breves apontamentos históricos:

Ilha das Flores e Corvo
É ponto controverso a data do descobrimento das ilhas das Flores e do Corvo sabendo-se ter sido posterior às das restantes sete ilhas dos Açores. Afirma-se, porém, que em 1452 era reconhecida por Diogo de Teive e seu filho. Inicialmente denominada ilha de São Tomás ou de Santa Iria, em breve o seu nome é mudado para Flores, devido à abundância de flores amarelas (cubres) que revestiam toda a ilha, cujas sementes foram possivelmente trazidas da península da Florida, América do Norte, na plumagem de aves migradoras.
O seu povoamento inicial é atribuído ao flamengo Wilhem van der Haagen (Guilherme da Silveira) que, depois de alguns anos, a abandona, indo fixar-se na ilha de São Jorge, decisão que se deveu ao afastamento da ilha e inexistência de ligações regulares por barco que permitissem a exportação da planta tintureira chamada "pastel" para a Flandres. Seguem-se, já no séc. XVI, agricultores de várias regiões do Continente que começaram a arrotear os seus campos produzindo trigo, cevada, milho, legumes e a explorar a urzela, líquen utilizado na tinturaria, e o "pastel". Nesse período recebem o foral de vila as povoações de Lages e Santa Cruz.
Afastada das restantes ilhas do arquipélago, com poucos produtos para exportar, a ilha das Flores vive séculos de quase isolamento, interrompido pelas raras visitas das autoridades régias, de barcos de comércio do Faial e Terceira que vinham buscar azeite de cachalote, mel, madeira de cedro, manteiga, limões e laranjas, carnes fumadas e, algumas vezes, louça das suas cerâmicas e, em troca, deixavam panos de lã e linho e outros artigos e de navios que ali faziam aguada e compravam viveres. Este isolamento não evita que, em 1587, seja atacada por uma esquadra inglesa que saqueia a ilha e que outros navios corsários e piratas um dos quais, conta a tradição, se refugiou na gruta dos Enxaréus, a ataquem e pilhem.
Os navios baleeiros americanos, que frequentam os Açores desde meados do séc. XVIII até finais do séc. XIX, caçam o cachalote nas suas águas e recrutam, entre a população, marinheiros e arpoadores. Muitos deles tornam-se capitães de veleiros merecendo destaque o "Wanderer" que, tendo navegado até 1924, foi considerado o mais belo baleeiro americano.
O desenvolvimento da agricultura e da pecuária, a beneficiação das instalações portuárias, um aeroporto e a presença de uma estação francesa de telemedida são acontecimentos recentes, que abriram novos horizontes ao progresso da ilha.
A morte de um corsário.
Os Açores foram durante parte dos séculos XVI e XVII, ponto de reabastecimento e protecção dos galeões espanhóis carregados com os imensos tesouros do México e Perú, por esse motivo, as suas águas eram infestadas por corsários.
Em 1591, uma esquadra de 16 navios corsários ingleses, capitaneada por Sir Thomas Howard, aportou à costa norte das Flores para a habitual pilhagem, aproveitando a estadia para repouso e tratamento da tripulação e, simultaneamente, esperar a chegada dos galeões. Avisada a tempo da presença, nas proximidades da ilha, de uma flotilha espanhola de defesa, com um número superior de navios, a esquadra inglesa, menos o "Revenge", capitaneado por Sir Richard Grenville, pode recolher os tripulantes e fugir. Esta atitude do capitão deveu-se à demora no regresso da tripulação ou à ideia de que as velas que se aproximavam eram dos galeões carregados de riquezas. Reconhecido, e escolhendo a luta em vez da fuga, o "Revenge" lançou-se para o meio da flotilha e, durante horas, resistiu heroicamente aos ataques dos numerosos navios espanhóis, até ser abordado e os seus últimos vinte defensores, entre os quais Sir Richard Grenville, que morreu dias depois, serem feitos prisioneiros pelo navio almirante"San Pablo".
Este feito heróico, que mereceu um poema de Tennyson, é encarado por alguns historiadores como demonstração do "intolerável orgulho e insaciável ambição" de Sir Richard Greville, que o fazia odiar pelos homens às suas ordens e ser temido pelos seus inimigos.
A odisseia do "Alabama". Durante a Guerra Civil Americana as forças sulistas utilizaram navios corsários como forma de atacar a marinha mercante do Norte. O mais célebre de todos foi a "Alabama" que, construído em Inglaterra em 1862, recebeu o seu armamento e munições perto das Flores e, imediatamente, iniciou a perseguição aos baleeiros americanos que estavam nas águas dos Açores, afundando-os. A partir daí o "Alabama" continuou a sua acção de corsários tendo afundado cerca de 70 navios até que, em Junho de 1864, foi atacado e destruído pelo "Kearsarge", da marinha dos Estados Unidos, na área do Canal da Mancha. A cedência do "Alabama" aos sulistas veio a custar à Inglaterra uma indemnização de mais de 15 milhões de dólares em ouro, pelos prejuízos causados. Um dos tripulantes do "Alabama" era um valoroso marinheiro da ilha do Corvo que, após as suas aventuras, foi alcunhado de Alabama, tendo deixado descendentes que ainda hoje vivem na ilha.

Ilha das Flores e Corvo
É ponto controverso a data do descobrimento das ilhas das Flores e do Corvo sabendo-se ter sido posterior às das restantes sete ilhas dos Açores. Afirma-se, porém, que em 1452 era reconhecida por Diogo de Teive e seu filho. Inicialmente denominada ilha de São Tomás ou de Santa Iria, em breve o seu nome é mudado para Flores, devido à abundância de flores amarelas (cubres) que revestiam toda a ilha, cujas sementes foram possivelmente trazidas da península da Florida, América do Norte, na plumagem de aves migradoras.
O seu povoamento inicial é atribuído ao flamengo Wilhem van der Haagen (Guilherme da Silveira) que, depois de alguns anos, a abandona, indo fixar-se na ilha de São Jorge, decisão que se deveu ao afastamento da ilha e inexistência de ligações regulares por barco que permitissem a exportação da planta tintureira chamada "pastel" para a Flandres. Seguem-se, já no séc. XVI, agricultores de várias regiões do Continente que começaram a arrotear os seus campos produzindo trigo, cevada, milho, legumes e a explorar a urzela, líquen utilizado na tinturaria, e o "pastel". Nesse período recebem o foral de vila as povoações de Lages e Santa Cruz.
Afastada das restantes ilhas do arquipélago, com poucos produtos para exportar, a ilha das Flores vive séculos de quase isolamento, interrompido pelas raras visitas das autoridades régias, de barcos de comércio do Faial e Terceira que vinham buscar azeite de cachalote, mel, madeira de cedro, manteiga, limões e laranjas, carnes fumadas e, algumas vezes, louça das suas cerâmicas e, em troca, deixavam panos de lã e linho e outros artigos e de navios que ali faziam aguada e compravam viveres. Este isolamento não evita que, em 1587, seja atacada por uma esquadra inglesa que saqueia a ilha e que outros navios corsários e piratas um dos quais, conta a tradição, se refugiou na gruta dos Enxaréus, a ataquem e pilhem.
Os navios baleeiros americanos, que frequentam os Açores desde meados do séc. XVIII até finais do séc. XIX, caçam o cachalote nas suas águas e recrutam, entre a população, marinheiros e arpoadores. Muitos deles tornam-se capitães de veleiros merecendo destaque o "Wanderer" que, tendo navegado até 1924, foi considerado o mais belo baleeiro americano.
O desenvolvimento da agricultura e da pecuária, a beneficiação das instalações portuárias, um aeroporto e a presença de uma estação francesa de telemedida são acontecimentos recentes, que abriram novos horizontes ao progresso da ilha.
A morte de um corsário.
Os Açores foram durante parte dos séculos XVI e XVII, ponto de reabastecimento e protecção dos galeões espanhóis carregados com os imensos tesouros do México e Perú, por esse motivo, as suas águas eram infestadas por corsários.
Em 1591, uma esquadra de 16 navios corsários ingleses, capitaneada por Sir Thomas Howard, aportou à costa norte das Flores para a habitual pilhagem, aproveitando a estadia para repouso e tratamento da tripulação e, simultaneamente, esperar a chegada dos galeões. Avisada a tempo da presença, nas proximidades da ilha, de uma flotilha espanhola de defesa, com um número superior de navios, a esquadra inglesa, menos o "Revenge", capitaneado por Sir Richard Grenville, pode recolher os tripulantes e fugir. Esta atitude do capitão deveu-se à demora no regresso da tripulação ou à ideia de que as velas que se aproximavam eram dos galeões carregados de riquezas. Reconhecido, e escolhendo a luta em vez da fuga, o "Revenge" lançou-se para o meio da flotilha e, durante horas, resistiu heroicamente aos ataques dos numerosos navios espanhóis, até ser abordado e os seus últimos vinte defensores, entre os quais Sir Richard Grenville, que morreu dias depois, serem feitos prisioneiros pelo navio almirante"San Pablo".
Este feito heróico, que mereceu um poema de Tennyson, é encarado por alguns historiadores como demonstração do "intolerável orgulho e insaciável ambição" de Sir Richard Greville, que o fazia odiar pelos homens às suas ordens e ser temido pelos seus inimigos.
A odisseia do "Alabama". Durante a Guerra Civil Americana as forças sulistas utilizaram navios corsários como forma de atacar a marinha mercante do Norte. O mais célebre de todos foi a "Alabama" que, construído em Inglaterra em 1862, recebeu o seu armamento e munições perto das Flores e, imediatamente, iniciou a perseguição aos baleeiros americanos que estavam nas águas dos Açores, afundando-os. A partir daí o "Alabama" continuou a sua acção de corsários tendo afundado cerca de 70 navios até que, em Junho de 1864, foi atacado e destruído pelo "Kearsarge", da marinha dos Estados Unidos, na área do Canal da Mancha. A cedência do "Alabama" aos sulistas veio a custar à Inglaterra uma indemnização de mais de 15 milhões de dólares em ouro, pelos prejuízos causados. Um dos tripulantes do "Alabama" era um valoroso marinheiro da ilha do Corvo que, após as suas aventuras, foi alcunhado de Alabama, tendo deixado descendentes que ainda hoje vivem na ilha.
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