Em relação a este "live a board" só me ocorre uma frase: uma experiência para a vida, do principio ao fim! Mais uma vez o mergulho serviu para perceber que muitas vezes nos impomos limites de forma inconsciente e rígida e só em momentos destes é que percebemos que afinal podemos ir muito alem do que pensamos! Um exemplo: há dois anos nunca me imaginava com uma garrafa às costas e a respirar por um tubinho dentro de água; há um ano, depois de superada essa convicção inicial, nunca diria que ia atravessar meio mundo e mergulhar com tubarões que não faziam parte do grupo de animais a conviver! Acho que é por isso que gosto de mergulhar... porque vou superando barreiras e obstáculos que me imponho (ou nos impõem) e sinto-me a cada vitória, cada vez melhor!
Mas sobre as Maldivas... não sei por onde começar! Se pelas cores HD, se pelo calor, se pelo azul da água, se pelo convívio no barco, se pelo reforçar das antigas amizade e o despertar de outras... mas vou tentar!
Não é fácil chegar ao paraíso! São precisas três escalas, horas em aeroportos (de onde não se pode sair) e puxar vezes sem fim os limites da paciência! Quando chegamos, somos recebidos com um bafo quente e húmido que nos dificulta as primeiras inspirações... mas como ficou comprovado, habituamo-nos a tudo! O impacto do azul da água é o primeiro prenúncio de que as cores tropicais e asiáticas vão ter que ser apre(e)ndidas, pelo menos para quem como eu nunca se tinha aventurado para estas latitudes. Nesta altura, o alivio de ter terminado a viagem e a excitação para percebermos aquilo que nos espera, ainda não deixa desfrutar convenientemente do que nos rodeia. Aos poucos, principalmente depois de arrumarmos os chinelos na prateleira (de onde só vão sair para a caminhada de regresso a casa) lá tomamos consciência de que esta realidade quente e descontraída vai ser a nossa pelos próximos dias.
Os receios de que a vida no barco possa ser monótona, vão ficando cada vez mais pequenos. Os dias deixam de ter 24h e passam a ter 3 mergulhos, refeições extraordinárias, sestas retemperadoras, o contemplar do pôr do sol (sempre lindo e apaziguador), o convívio em tons de "non-sense", discussões musicais, perseguições a tubarões baleia e a intercalar tudo isto, mergulhos com os "bar" que cada um consegue reunir nos pulmões! Se isto não bastasse, ainda tivemos direito a mimos daqueles que nos aquecem o coração! Quem é que no meio da concretização de tantos sonhos, ainda vai ter a pretensão de desejar um jantar iluminado com velas, numa ilha deserta, aquecido com a emoção de quem se sente no meio de almas que sentem o mesmo e com o direito a uma Lua quase cheia de pura alegria e paz... alguém me disse que não sabia o que tinha feito para merecer tudo aquilo... seja o que for, valeu muito muito a pena!
Os mergulhos, o que nos levou ao outro lado do mundo, valeram todos os momentos de ansiedade e antecipação! Não ficou nada por ver! Tubarões, tartarugas, mantas, raias, stone fish, lion fish e tudo o que para além da vista a imaginação conseguisse alcançar! Para não falar dos corais que pareciam vindos directamente das páginas de um livro infantil! A magia de quem vive no mar e do mar (Mohamed) só tornou a fantasia ainda mais real e se todos os planos B fossem assim, então acredito que o plano A passasse a ser apenas um recurso! Mais uma vez ressurge a sensação de companheirismo entre os buddies, que ajudam a tornar a visibilidade melhor e as emoções ainda mais à flor da pele! Afinal, tanta beleza junta tem mesmo que ser partilhada! E quando é partilhada por um grupo como o que os astros reuniram nesta travessia, então tudo o que de bom aconteceu multiplica-se por 17 e a viagem de extraordinária passa a uma memoria daquelas que ocupam em nós os espaços mais preciosos!
Valeu por cada momento, valeu cada sacrifício! E continua a valer!
A prosa já vai longa e a cair na lamechice... por isso vou ficar por aqui e esperar para descer à terra, ainda que continue a sentir o barco a embalar-me!

